DÉBORA MARIA DA SILVA

Mães de Maio. Santos, SP.

Débora Maria da Silva

Débora Maria da Silva é fundadora do grupo Mães de Maio, que reune familiares de vítimas de violência do Estado, mais especificamente pessoas mortas pela Polícia Militar de São Paulo. No ano de 2006, policiais e grupos de extermínio ligados à Polícia Militar promoveram o assassinato de 562 pessoas: mais de 400 jovens negros, afro-indígena-descendentes e pobres incluindo o bebê de Ana Paula, assassinada aos 9 meses de gestação. A imensa maioria delas executadas sumariamente, no intervalo de pouco mais de uma semana, configurando o episódio que ficou conhecido como os “Crimes de Maio”. Dentre esses 562, encontrava-se Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora.

Desde então, a voz de Débora fortalece os debates sobre desmilitarização da segurança pública e reparação para os familiares de vítimas de violência institucional. Sua força é reconhecida por movimentos de familiares em todo o país, inspirando ações de resistência e de denúncias de violações de direitos humanos, especialmente em regiões de favelas e periferias dos grandes centros urbanos brasileiros.

O Movimento Mães de Maio tem buscado dar visibilidade ao crimes, exigindo correta investigação e julgamento dos fatos. Em Maio de 2010, foi apresentado às autoridades o pedido de incidência de deslocamento de competência para que os casos fossem reabertos e passassem a ser investigados pelo Governo Federal.

Neste mesmo ano, a partir da pressão do movimento, foi criada uma comissão especial junto ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para apurar o caso, sem resultados concretos. Divulgada através de um abaixo assinado que veio a público em fevereiro de 2012, a campanha lançada pelo Movimento Mães de Maio, exigindo o fim do registro do auto de resistência, certamente é a expressão mais concreta da articulação de forças entre os movimentos sociais e coletivos formados majoritariamente por familiares de vítimas de violência institucional.

Em 2011, o Movimento Mães de Maio foi contemplado com o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos e em 2013, além do movimento ter recebido a Medalha Chico Mendes de Resistência, Débora recebeu o Prêmio de Direitos Humanos 2013 (a mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas e entidades que se destacam no enfrentamento às violações de Direitos Humanos no país) na categoria “Enfrentamento à violência”. O reconhecimento desta luta não elimina, no entanto, as ameaças e retaliações por parte de agentes de Estado, nem a dor da perda sofrida diariamente: na linha de frente, Débora resiste.