LAÍSA SANTOS

Assentamento Agro-extrativista Praia Alta Piranheira. Nova Ipixuna, PA.

Laísa Santos

Laísa Santos Sampaio é professora, mas não leciona há três anos, desde que passou a sofrer constantes ameaças. Ela vive no assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, município de Nova Ipixuna, Sudeste do Pará, onde também morava sua irmã Maria do Espírito Santo e seu cunhado José Claudio Ribeiro da Silva, casal de extrativistas assassinados no dia 24 de maio de 2011.

Os extrativistas denunciavam violações ambientais e agrárias cometidas por criadores de gado, madeireiras e carvoarias no município. Passaram a ser ameaçados em 2002, mas receberam pouca atenção e proteção do poder público. Foram alvejados a tiros após uma emboscada, em uma estrada estreita a caminho de casa. Antes de ser assassinado, José Cláudio teve parte da orelha direita cortada, como prova da execução do crime.

Logo após as mortes, 22 familiares e amigos do casal tiveram de deixar o assentamento, com medo de represálias. Alguns retornaram, outros continuam vivendo em Marabá. Laísa é uma das que continuou a viver no assentamento, mas passa parte da semana na periferia de Marabá, com alguns dos 12 filhos (quatro biológicos, os outros adotados). Projetos de extrativismo coordenados por Maria e José Claudio também foram interrompidos.

Em abril de 2013 o crime foi a julgamento, mas seguiu a regra das sentenças em casos de crimes no campo: executores foram condenados e mandante ficou impune.

Apenas Alberto Lopes do Nascimento, autor dos disparos, e o ajudante, Lindonjonson Silva Rocha, foram condenados, com penas de 45 e 42 anos oito meses em regime fechado, respectivamente. José Rodrigues Moreira, principal acusado de ter sido o mandante do crime, recebeu absolvição. Na sentença, o juiz ainda afirmou que José Claudio havia contribuído para a própria morte.

Por não haver fiscalização e regularização fundiária dos assentamentos por parte dos órgãos governamentais, madeireiros e carvoeiros estão retomando suas atividades ilegais na área.

Laísa está entre as 46 pessoas ameaçadas de morte no Pará, estado com o maior número de defensores/as vítimas de violência, segundo o Relatório de Conflitos no Campo da Comissão Pastoral da Terra, referente a 2013. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH)  do Pará foi um dos primeiros a ser executado no país, mas está paralisado desde 2012.